O número de pedágios eletrônicos de passagem livre deve dobrar no país até o fim do próximo ano, aponta estimativa da ABCR (Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias).
Atualmente, segundo a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), há 93 desses pórticos em rodovias sob concessão privada no país.
Os três primeiros foram instalados em março de 2023 na rodovia Rio-Santos, nas cidades de Itaguaí, Mangaratiba e Paraty, todas no Rio de Janeiro.
De acordo com o Ministério dos Transportes, 15 rodovias no país contam atualmente com o modelo free flow.
Do total de pórticos existentes, 15 estão em estradas estaduais sob concessão em São Paulo, conforme a Artesp (agência reguladora).
Dados da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) apontam que, desde a implantação, houve 200 milhões de passagens por esses pórticos.
Em São Paulo, além das 15 estruturas de cobrança em passagem livre, há outras sete de monitoramento em estradas estaduais. São pórticos que deveriam funcionar como pedágios, mas mudaram de função após o recuo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na instalação de novos pedágios no ano passado, após críticas.
Nesse sistema de passagem livre, free flow ou Siga Fácil, como é chamado pelo Governo de São Paulo, não é preciso parar para quitar a tarifa.
Em vez de pedágio com cancela, são usados pórticos com câmeras capazes de identificar as placas de veículos em movimento ou o sinal das tags, do mesmo tipo usado em pedágios convencionais e estacionamentos de acesso sem parada.
Para veículos com tags válidas, a cobrança é feita automaticamente pela operadora contratada.
Quem não conta com esse dispositivo colado no para-brisa tem até 30 dias para fazer o pagamento.
De acordo com Marco Aurélio Barcelos, presidente da associação de rodovias, o desafio do setor agora é substituir as praças físicas de cobrança de pedágio, aquelas com cancela em que o motorista é obrigado a parar para pagar, pelo novo modelo.
"É uma tendência natural. Creio que, no intervalo de um ou dois anos, o que hoje é novidade vai se tornar cotidiano", diz.
Segundo ele, em até cinco anos, todas essas praças devem ser substituídas por pórticos de free flow.
No grupo Motiva, que gerencia, entre outras, estradas como a Via Dutra e os sistemas Anhanguera-Bandeirantes e Castelo-Raposo, há a expectativa de que todas as praças comuns possam ser trocadas por free flow ainda antes, aponta Jorge Manuel Gonçalves Pereira, gerente executivo de estratégia de operação.
Conforme o ministro dos Transportes, George Andre Palermo Santoro, pedágios tradicionais não devem mais ser instalados no país.
Sem citar números, a Artesp afirma que, em São Paulo, estão em andamento estudos para a expansão do sistema, com a implantação de novos pórticos eletrônicos e a conversão de praças de pedágio convencionais para o modelo de cobrança automática.
Um dos entraves para o avanço ser mais rápido, de acordo com o presidente da ABCR, é conseguir autorização das agências reguladoras nos estados.
"Há toda uma burocracia para se identificar onde será instalado o pedágio eletrônico", diz.
Outra dificuldade para agilizar a mudança é convencer concessionárias a encarar os riscos de inadimplência, que praticamente não existem nos pedágios tradicionais.
"Quando você cria uma praça, um pórtico de free flow, você tende a aumentar essa inadimplência. Então vai depender do apetite da concessionária, que hoje trabalha com um patamar muito reduzido de inadimplência, de trazer isso para o nível do contrato", afirma Barcelos.
Segundo a associação, entre 7% e 8% dos veículos que passam pelos pedágios eletrônicos não pagam a tarifa, índices semelhantes aos de países como Portugal e China. "Diria que temos 93% de adesão [ao novo sistema]."
Ele diz acreditar que a inadimplência tende a cair com a incorporação dos free flow na CNH do Brasil, a carteira de habilitação digital, que passou a funcionar na última segunda-feira (24).
"Vamos ver qual será o comportamento e como esse número vai mudar a partir da CNH do Brasil. Porque, se havia usuário que deixava de pagar por falta de conhecimento, agora esse problema deixou de existir", afirma o executivo.
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