O recente anúncio do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para transações internacionais acendeu um sinal de alerta no setor de turismo. Segundo agências e operadoras de viagens, o reajuste pode afetar até mesmo pacotes já adquiridos, especialmente aqueles com pagamentos parcelados ou cotações em moeda estrangeira.
A elevação do imposto, que incide sobre compras no exterior, uso de cartões internacionais e remessas, impacta diretamente os contratos de viagem que envolvem serviços fora do país. Em muitos casos, agências fixam os valores em dólar ou euro, e a conversão para o real é feita no momento do pagamento de cada parcela. Com o IOF mais alto, o valor final pode subir consideravelmente.
“Temos recebido muitas dúvidas de clientes que já fecharam viagens. Infelizmente, se o contrato estiver vinculado à variação cambial, é possível que o valor final mude”, explica Carla Montenegro, diretora de uma agência especializada em turismo internacional. “A maioria das pessoas não sabe que o IOF incide sobre cada transação em moeda estrangeira, mesmo após o pacote ser fechado.”
Além dos pacotes turísticos, o aumento do IOF também pode afetar gastos com hotéis, passeios, aluguel de carros e outras despesas pagas com cartão de crédito no exterior — um dos meios mais usados por viajantes brasileiros.
A mudança traz ainda mais incerteza para um setor que vinha ensaiando recuperação após os impactos severos da pandemia de COVID-19. "Esse tipo de medida pode desestimular o turismo internacional, principalmente entre famílias e grupos que já operam com orçamento justo", avalia um representante da Associação Brasileira das Agências de Viagem (ABAV).
Cancelamentos e renegociações
Diante do novo cenário, especialistas recomendam que consumidores revisem os contratos firmados e entrem em contato com as agências em caso de dúvida. “É importante verificar se o valor estava fixado em real ou em moeda estrangeira. Essa diferença pode determinar se haverá ou não reajuste”, alerta o advogado Marcelo Delmar, especialista em direito do consumidor.
Operadoras relatam que já estão sendo procuradas por clientes interessados em renegociar contratos ou até mesmo cancelar pacotes. Apesar disso, o setor aposta na transparência e no diálogo para evitar prejuízos maiores.
Orientações para quem vai viajar:
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Verifique se o pacote foi fechado com valor fixo em reais;
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Consulte se o parcelamento sofre variação cambial a cada pagamento;
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Avalie alternativas de pagamento com menor incidência de IOF, como remessas via fintechs;
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Considere o uso de cartões pré-pagos internacionais com câmbio travado.
Enquanto o setor pede mais estabilidade nas regras para evitar efeitos colaterais à retomada das viagens, consumidores devem ficar atentos aos detalhes do contrato — e ao câmbio.
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